| Terça, 07 de Agosto de 2012 | Quem julga? |
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| Escrito por Marcos Coimbra | |||
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Carregar nas tintas de uma denúncia é permissível, e, por isso mesmo, alguém tem que evitar que se convertam, automaticamente, em punição. Os grandes grupos de mídia brasileiros não se prepararam para a cobertura do julgamento do mensalão. Sua parafernália foi montada com outro intuito: noticiar o dia a dia de uma condenação.
Se não de todos os 38 réus, pelo menos das principais figuras do PT e de outros partidos que foram acusados. Junto com alguns dos personagens de fora da política que se tornaram simbólicos dos eventos que suscitaram as denúncias.
A "grande imprensa" faz plantão na porta do Supremo Tribunal Federal aguardando a condenação. O julgamento é um detalhe, uma burocracia que só retarda o desfecho que espera — e deseja. A rigor, ela não demonstra interesse pelo que vai acontecer no STF, de agora até que o último réu seja julgado. Parece achar que a história do mensalão já foi escrita.
É irrelevante se o jornalista ou seu empregador estão convencidos da culpa de alguém. Até porque a última preocupação que têm é com a Justiça. Suas convicções políticas, suas antipatias e simpatias impedem a isenção exigida para julgar.
Muitas pessoas acreditam que o pleno exercício do papel da imprensa requer o que chega a ser exacerbação crítica. Sem uma incansável disposição de recusar a verdade estabelecida, sem ser sistematicamente "do contra", ela seria dispensável. No limite, como dizia Millôr Fernandes, "Jornalismo é de oposição, o resto é armazém de secos e molhados".
Certa ou errada a frase (e, no Brasil de hoje, nada menos oposicionista — no sentido que Millôr dava à palavra — que os veículos da indústria de comunicação, que costumam ser apenas porta-vozes do situacionismo de ontem), o que ela ressalta é a incongruência entre julgar e fazer imprensa investigativa.
Essa pode — e talvez deva — ir mais longe na denúncia que o justo (considerando, é claro, os veículos e profissionais que se mantêm no jornalismo e ignorando os agentes do jogo ideológico de baixa qualidade).
O mesmo vale para a atuação do Ministério Público. Excessos saudáveis de alguns de seus integrantes ajudaram no amadurecimento de nossas instituições, ainda debilitadas pelo autoritarismo. Promotores "incômodos" são mais úteis à sociedade que os "bonzinhos".
De novo, isso é incompatível com a função de julgar. "Carregar nas tintas" de uma denúncia é permissível, e, por isso mesmo, alguém tem que evitar que se convertam, automaticamente, em punição.
O julgamento do mensalão não é o endosso dos ministros do STF ao que a "grande imprensa" diz e nem tampouco o referendo da denúncia apresentada pelo procurador-geral. É o momento em que a acusação deixa de ser unilateral e a defesa — tão legítima quanto ela — é ouvida.
Dele, ninguém deve sair condenado sem prova irrefutável de culpa. Nossa "grande imprensa" se colocou em uma posição delicada. De tanto apostar na condenação — seja por estar convencida da excelência de sua investigação, seja para golpear o "lulopetismo"—, ficou sem saída.
Ou o STF faz o que ela quer ou está obrigada a repudiar seu pronunciamento. Caso não venham as penas, como se explicará a seus leitores e à opinião pública? Reconhecerá que se excedeu, que atacou sem provas, que destruiu imagens e reputações irresponsavelmente? Ou vai insistir que estava certa e errado é o julgamento do Supremo? Que, portanto, os cidadãos brasileiros não podem confiar na Justiça?
Para ela, só pode haver um desfecho: a condenação. Mas que julgamento seria esse, se todos já foram condenados? O que a "grande imprensa" brasileira menos quer é que o Supremo julgue. Ela já fez isso. E não admite a revisão de seu veredicto.
Marcos Coimbra
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Comentários
Nos conforta saber que, ao ser condenado por esses amigos de bandidos fica mais claro ainda que sua postura na vida pública realmente foi mais do que digna e acertada, pois como já disse Mao: “Quando o inimigo te elogia algo está errado”.
Amigo João, eu e Diva estamos solidários e sabendo que para você, que é uma pessoa desprovida de vaidade, o que o entristece neste momento não é a possibilidade de ficar de fora da vida pública, ou até mesmo outras consequências mais desastrosas ainda, o que o aborrece neste momento é saber que mais uma vez em nosso país o cidadão de bem é aviltado e o sujo de caráter permanece fortalecido e atentando contra a integridade física e moral dos nossos cidadãos.
Não fique triste e muito menos deprimido, sabemos que este massacre terá fim e o tempo o conduzirá de volta ao patamar que só os bons tem acesso.
Procure conforto espiritual e o resto acontecerá naturalmente.
Nos colocamos à sua disposição para qualquer necessidade de apoio que precise.
Um forte abraço e contamos com a sua manutenção na vida pública pois sempre fomos carentes de pessoas integras nas decisões que a política brasileira toma.
Até breve João, tenha força Companheiro,a luta continua!!!
Agnaldo e Diva.
Osasco 20/09/12
é a mosca na sopa deles!Conte comigo sempre. Leni Gallo
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