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segunda, 20 de maio de 2013
Terça, 07 de Agosto de 2012
Quem julga? Imprimir E-mail
( 17 Votos )
Escrito por Marcos Coimbra   
Carregar nas tintas de uma denúncia é permissível, e, por isso mesmo, alguém tem que evitar que se convertam, automaticamente, em punição. Os grandes grupos de mídia brasileiros não se prepararam para a cobertura do julgamento do mensalão. Sua parafernália foi montada com outro intuito: noticiar o dia a dia de uma condenação.
 
Se não de todos os 38 réus, pelo menos das principais figuras do PT e de outros partidos que foram acusados. Junto com alguns dos personagens de fora da política que se tornaram simbólicos dos eventos que suscitaram as denúncias.
 
A "grande imprensa" faz plantão na porta do Supremo Tribunal Federal aguardando a condenação. O julgamento é um detalhe, uma burocracia que só retarda o desfecho que espera — e deseja. A rigor, ela não demonstra interesse pelo que vai acontecer no STF, de agora até que o último réu seja julgado. Parece achar que a história do mensalão já foi escrita.
 
É irrelevante se o jornalista ou seu empregador estão convencidos da culpa de alguém. Até porque a última preocupação que têm é com a Justiça. Suas convicções políticas, suas antipatias e simpatias impedem a isenção exigida para julgar.
 
Muitas pessoas acreditam que o pleno exercício do papel da imprensa requer o que chega a ser exacerbação crítica. Sem uma incansável disposição de recusar a verdade estabelecida, sem ser sistematicamente "do contra", ela seria dispensável. No limite, como dizia Millôr Fernandes, "Jornalismo é de oposição, o resto é armazém de secos e molhados".
 
Certa ou errada a frase (e, no Brasil de hoje, nada menos oposicionista — no sentido que Millôr dava à palavra — que os veículos da indústria de comunicação, que costumam ser apenas porta-vozes do situacionismo de ontem), o que ela ressalta é a incongruência entre julgar e fazer imprensa investigativa.
 
Essa pode — e talvez deva — ir mais longe na denúncia que o justo (considerando, é claro, os veículos e profissionais que se mantêm no jornalismo e ignorando os agentes do jogo ideológico de baixa qualidade).
 
O mesmo vale para a atuação do Ministério Público. Excessos saudáveis de alguns de seus integrantes ajudaram no amadurecimento de nossas instituições, ainda debilitadas pelo autoritarismo. Promotores "incômodos" são mais úteis à sociedade que os "bonzinhos".
 
De novo, isso é incompatível com a função de julgar. "Carregar nas tintas" de uma denúncia é permissível, e, por isso mesmo, alguém tem que evitar que se convertam, automaticamente, em punição.
 
O julgamento do mensalão não é o endosso dos ministros do STF ao que a "grande imprensa" diz e nem tampouco o referendo da denúncia apresentada pelo procurador-geral. É o momento em que a acusação deixa de ser unilateral e a defesa — tão legítima quanto ela — é ouvida.
 
Dele, ninguém deve sair condenado sem prova irrefutável de culpa. Nossa "grande imprensa" se colocou em uma posição delicada. De tanto apostar na condenação — seja por estar convencida da excelência de sua investigação, seja para golpear o "lulopetismo"—, ficou sem saída.
 
Ou o STF faz o que ela quer ou está obrigada a repudiar seu pronunciamento. Caso não venham as penas, como se explicará a seus leitores e à opinião pública? Reconhecerá que se excedeu, que atacou sem provas, que destruiu imagens e reputações irresponsavelmente? Ou vai insistir que estava certa e errado é o julgamento do Supremo? Que, portanto, os cidadãos brasileiros não podem confiar na Justiça?
 
Para ela, só pode haver um desfecho: a condenação. Mas que julgamento seria esse, se todos já foram condenados? O que a "grande imprensa" brasileira menos quer é que o Supremo julgue. Ela já fez isso. E não admite a revisão de seu veredicto.
 
Marcos Coimbra

 
 

Comentários  

 
+1 #4 Agnaldo Garcia de Souza 20-09-2012 17:05
Como podemos aceitar o STF praticar “justiça parcial”, aplicando os “rigores da lei” para os inimigos e as benesses da lei para os amigos criminosos como Daniel Dantas, Azeredo , os privateiros do PSDB, os empresários, políticos e jornalistas, parceiros do Cachoeira e todos os outros milhares de escândalos políticos impunes por este Tribunal de que temos conhecimento?
Nos conforta saber que, ao ser condenado por esses amigos de bandidos fica mais claro ainda que sua postura na vida pública realmente foi mais do que digna e acertada, pois como já disse Mao: “Quando o inimigo te elogia algo está errado”.
Amigo João, eu e Diva estamos solidários e sabendo que para você, que é uma pessoa desprovida de vaidade, o que o entristece neste momento não é a possibilidade de ficar de fora da vida pública, ou até mesmo outras consequências mais desastrosas ainda, o que o aborrece neste momento é saber que mais uma vez em nosso país o cidadão de bem é aviltado e o sujo de caráter permanece fortalecido e atentando contra a integridade física e moral dos nossos cidadãos.
Não fique triste e muito menos deprimido, sabemos que este massacre terá fim e o tempo o conduzirá de volta ao patamar que só os bons tem acesso.
Procure conforto espiritual e o resto acontecerá naturalmente.
Nos colocamos à sua disposição para qualquer necessidade de apoio que precise.
Um forte abraço e contamos com a sua manutenção na vida pública pois sempre fomos carentes de pessoas integras nas decisões que a política brasileira toma.
Até breve João, tenha força Companheiro,a luta continua!!!

Agnaldo e Diva.

Osasco 20/09/12
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-1 #3 Leni Gallo 02-09-2012 02:26
João.Inacreditável o que você fez por essas pessoas e ser usado como bode expiatório para a mídia que está sedenta por uma cabeça do PT.Sabemos a homem honesto que você é e tenha a certeza que Osasco e o PT perdem muito com essa postura hipócrita em nome de uma pretensa justiça.Força!Osasco o conhece! Você lutou tanto para que as mudanças começassem a acontecer, porém, há que se lembrar que as elites ainda impregnam o poder.Você ainda
é a mosca na sopa deles!Conte comigo sempre. Leni Gallo
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+3 #2 Caio 02-09-2012 00:00
Concordo com vc amigo, os réus já entraram no julgamento marcados como condenados. Muito disso se deve à imprensa. Mas agora com a confirmação da condenação, não há de se questionar a decisão. Não houve nada de ilegal lá. A tese de caixa 2 caiu por terra, ou seja, o mensalão existiu. Não tenho nada contra o PT, mas negar a existência do mensalão é no mínimo ignorância. Você parece ser um cara inteligente Marcos Coimbra ou ainda vai continuar negando o óbvio. Esse é o problema de ser partidário de qualquer partido no Brasil, aconteça o que aconter, o cara sempre vai estar apoiando o partido (candidato). O que me estranhou foi a presença do advogado do PT nas sessões. Se preparem que vem mais ferro pro lado de vocês...
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+2 #1 marcelo 30-08-2012 17:58
prezado amigo, errar todos erramos. acho que seria digno de sua parte revelar toda verdade. nao vá pra o sacrificio sozinho.
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