| 27/Jul/2010 | ||
| “O M Boi Mirim foi abandonado pelo poder público”, afirma João Paulo |
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![]() Cerca de 70 moradores pertencentes à comunidade Nossa Senhora de Lourdes, do bairro paulistano M Boi Mirim, reuniram-se com o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) e o estadual Enio Tatto (PT), na manhã de domingo, 25. Dois temas dominaram o encontro: os problemas enfrentados por quem vive no bairro e as eleições deste ano.
João Paulo, candidato a reeleição, fez um breve balanço da gestão Lula, explicitando as mudanças promovidas. Em seguida, construiu um contraponto com exaustivos anos do PSDB em São Paulo. “A companheira Dilma conhece a estrutura montada pelo presidente Lula e está mais preparada para continuar construindo o país. A mulher tem mais sensibilidade e a Dilma, além disso, já mostrou que é uma excelente administradora. O presidente não confiaria em alguém que não tivesse plenas condições de continuar fazendo o Brasil crescer a passos largos, como acontece hoje”, disse.
As questões relacionadas ao bairro também foram ouvidas com atenção por João Paulo. “Vi muita sujeira nas ruas, o trânsito nessa região é muito confuso e é fácil perceber que o M Boi Mirim foi abandonado pelo poder público. É a primeira vez que venho aqui, nessa comunidade, mas espero poder contribuir para ajudar a resolver questões como essa, que preocupam a todos com razão.”
O deputado estadual Enio Tatto, candidato a reeleição, também fez duras críticas ao triste estado do bairro. “Temos que resolver a questão do trânsito, pois os últimos investimentos significativos no M Boi Mirim foram feitos na gestão Marta. Questões como essas e outras, como o metrô, que precisa chegar até aqui, já estão contempladas no plano de governo do Mercadante”, finalizou.
HISTÓRIAM Boi Mirim, que na língua indígena significa rio das cobras pequenas, teve seu primeiro processo de ocupação em 1607. Nessa época, foram instalados, à beira do rio Pinheiros, próximo à aldeia indígena do M Boi Mirim, o Engenho de Nossa Senhora da Assunção de Ibirapuera e a primeira extração de minério de ferro da América do Sul.
A experiência com a extração de minério de ferro durou cerca de 20 anos. Depois disso a área da antiga aldeia dos índios guaianases ficou praticamente esquecida por 200 anos, servindo apenas como ponto de passagem para os viajantes em direção ao Embu e Itapecerica da Serra.
Foi só em 1829 que se deu o segundo processo de ocupação do M Boi Mirim, com a chegada de um grupo de 129 imigrantes alemães, trazidos por D. Pedro I, para colonizar essas terras. Três anos depois a região de Santo Amaro, que incluía a antiga aldeia do M Boi Mirim, foi elevada à categoria de município.
Em pouco tempo grande parte da batata, marmelada, farinha de mandioca, milho e carne consumidos em São Paulo, e também a madeira, areia e pedras utilizadas nas construções eram produzidos no novo município. Foi isso que levou à inauguração da primeira ligação de bondes movidos a vapor entre as duas cidades, em 1.886.
No início do século 20, a The São Paulo Tramway, Light & Power decidiu represar o rio Guarapiranga, afluente do Pinheiros, para regularizar a vazão do Tietê nos meses de seca. O fato de existir transporte regular nas proximidades colaborou com a escolha do local para a construção da represa Guarapiranga. Durante o período de estiagem, as águas do Guarapiranga deveriam ser represadas e descarregadas no Rio Pinheiros para, assim, alimentar as turbinas da Usina de Parnaíba.
Com isso, um novo tipo de pessoas passou a ser atraído para essa região. Eram principalmente alemães e italianos que vinham para cá nos finais de semana praticar caça, pesca e esportes aquáticos. A área onde hoje fica o Jardim Ângela ficou conhecida como a Riviera Paulista, devido à beleza das margens da represa.
Com a inauguração do Aeroporto de Congonhas, em 1934, o município de Santo Amaro foi extinto por determinação do governo do Estado. Por volta da década de 50, porém, a região do M Boi Mirim inicia um processo de ocupação muito mais intenso. Ele começou com o desmembramento dos antigos sítios e chácaras em lotes. No auge do processo industrial, diversas vilas começaram a surgir na zona sul. Eram, na maioria, moradias dos operários que estavam chegando de vários estados e do interior paulista para trabalhar nas fábricas que se instalaram em Santo Amaro. Eles foram chegando lentamente até a grande explosão que aconteceu a partir do fim da década de 60, quando a ocupação tornou-se desordenada, inclusive em áreas de preservação, como na região dos mananciais.
Nesse período, a região cresceu também em aspectos positivos. Em setembro de 1974, ganhou o Parque Municipal Guarapiranga, com projeto elaborado pelo escritório Burle Marx e Cia. Posteriormente, em 1977, foi inaugurado outro ícone da região: o Centro Empresarial de São Paulo, localizado no Jardim São Luis.
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