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sexta, 30 de julho de 2010
05/Mar/2010
8 de Março: Mulheres ganham cada vez mais importância e destaque na América Latina Imprimir E-mail

 

 
Desde sua criação, o Dia Internacional da Mulher é mais do que uma simples data comemorativa, mas um importante dia para concentrar debates sobre o papel da mulher na sociedade. Mais do que isso, serve para refletir sobre as dificuldades enfrentadas pelo erroneamente chamado “sexo frágil”, que sofre com abusos no mercado de trabalho, nas relações sociais e, muitas vezes, dentro de seus próprios lares. É inegável que nas últimas décadas as mulheres conquistaram importantes avanços, como o direito ao voto, a possibilidade de serem eleitas para cargos no Executivo e Legislativo, entre outros.
 
O Dia Internacional da Mulher foi criado como protesto ao assassinato de aproximadamente 140 tecelãs, no dia 8 de março de 1857. Elas reivindicavam melhores condições de trabalho numa fábrica de tecidos em Nova Iorque (EUA). A jornada consistia em 16 horas de trabalho diário e as condições eram precárias. Elas não recebiam tratamento adequado e as trabalhadoras viviam num cenário de constante submissão, com salários inferiores a um terço do que era pago aos homens. Insatisfeitas com os termos, as tecelãs organizaram uma greve e, durante o manifesto, foram trancafiadas na fábrica em que trabalhavam, que foi incendiada por supostos policiais, ceifando a vida de todas as trabalhadoras que ali estavam.
 
Relembrando esse sacrifício em prol de um tratamento digno e igualitário, foi decidido em 1910, durante uma conferência em Copenhague, na Dinamarca, que 8 de março seria a data do "Dia Internacional da Mulher". A data, porém, só foi oficializada pela Organização das Nações Unidas em 1975.
 
 

Lideranças femininas marcam novo século na América Latina

No século atual, as mulheres da América Latina começaram a ocupar cargos cada vez mais importantes. Antes de ser eleita presidente do Chile, em 2006, Michelle Bachelet, membro do Partido Socialista, foi ministra da saúde e da defesa durante o período de Ricardo Lagos. Apesar da tragédia causada pelos terremotos no Chile, Bachelet deixará o cargo coincidentemente no dia 8 de março com índices recordes de popularidade que superam 80% de aprovação.
 
Eleita em primeiro turno como presidente da Argentina em 2007, Cristina Kirchner precedeu o marido, Néstor Kirchner , na presidência do país. Entretanto, Cristina não foi a primeira mulher a ocupar a presidência. Em 1974, Isabel Péron era vice-presidente quando sucedeu o marido Juan Domingo Perón após a sua morte. Deixou o poder após ser deposta por um golpe militar, em março de 1976.
 
Na plataforma política nacional o Brasil está prestes a escrever um novo capítulo fundamental no avanço das conquistas femininas. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi escolhida para concorrer à Presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores, contanto com apoio inestimável do próprio presidente Lula. Pesquisas atuais revelam o crescimento de sua candidatura e apontam para sua possível vitória.
 
 

A mulher brasileira sabe que ainda há muito a conquistar

Só para ter idéia da importância das mulheres, basta saber que elas representam mais da metade da população brasileira. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais -2007, a população brasileira em 2006 era de 187,2 milhões de habitantes. Desse total, 96 milhões eram mulheres.
 
O aumento da proporção de mulheres em relação a homens é uma tendência demográfica no Brasil, ou seja: a cada nova pesquisa, os resultados mostram que a população feminina tem aumentado mais em relação à masculina. O indicador demográfico, que expressa essa proporção, se chama razão de sexo. Ele mostra o número de pessoas do sexo masculino para cada grupo de 100 pessoas do sexo feminino.
 
As Regiões Metropolitanas de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre apresentam a relação homem/mulher mais equilibrada, aproximadamente de 92 homens para cada 100 mulheres. As informações sobre as Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro, Salvador e Recife mostraram que, para cada 100 mulheres, eram apenas entre 86 e 88,5 homens.
 
Outra tendência demográfica expressa na Síntese de Indicadores Sociais – 2007 é um processo de envelhecimento da população. Há menos crianças e jovens do que antes. A vida média ao nascer, entre 1996 e 2006, incrementou 3,5 anos, com as mulheres em situação bem mais favorável que a dos homens (72,3 para 75,8 anos, no caso das mulheres, e 65,1 para 68,7 anos, para os homens). O aumento da esperança de vida ao nascer em combinação com a queda da taxa de fecundidade resulta no aumento da população idosa – principalmente a feminina. Observe a pirâmide etária brasileira:
 
Em 2006, a taxa de fecundidade total (número médio de filhos que uma mulher teria ao final do seu período fértil) foi 2,0 filhos. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais – 2007, a queda da taxa de fecundidade nas últimas décadas é uma tendência não só no Brasil: diversos países já atingiram valores bem abaixo do chamado nível de reposição natural da população, principalmente os europeus. Entre nossos vizinhos americanos, observamos o caso de Cuba, cuja taxa em 2005 era de 1,6 filho, contrastando com a Bolívia, com 3,7 filhos por mulher. A Argentina se encontra nos mesmos patamares que o Brasil.
 
 

Mulheres responsáveis por domicílios

Entre 1996 e 2006, o percentual de mulheres responsáveis pelos domicílios aumentou de 10,3 milhões para 18,5 milhões. Em termos relativos, esse aumento corresponde a uma variação de 79%, enquanto, neste período, o número de homens “chefes” de família aumentou 25%. A Síntese de Indicadores Sociais – 2007 nos mostra que o aumento da “chefia” feminina ocorreu principalmente nas famílias compostas por casal com ou sem filhos. É interessante pensar em alguns fatores que influenciam o aumento do número de mulheres responsáveis pelo domicílio.
 
Maior participação das mulheres no mercado de trabalho e, conseqüentemente, maior contribuição para o rendimento da família: Entre 1996 e 2006, o nível de ocupação das mulheres aumentou quase 5 pontos percentuais, ao passo que para os homens ocorreu uma redução de cerca de 1 ponto percentual. Para as mulheres, o aumento nos níveis de ocupação foi maior no Sudeste e na categoria de 40 a 49 anos de idade.
 
A alta expectativa de vida da mulher em algumas cidades ou regiões: A mulher assume a liderança da casa após a morte do companheiro. Isto contribui para o aumento do número de mulheres que moram sozinhas. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais – 2007, 26,7% das mulheres responsáveis por domicílios têm 60 anos ou mais de idade.
 
Casamentos desfeitos: A mulher, separada do marido, torna-se responsável pelo domicílio sozinha ou com os filhos. Entre os diversos tipos de estrutura familiar, a maior proporção de mulheres “chefes” encontrava-se em famílias que não contavam com a presença do marido e todos os filhos tinham 14 anos ou mais de idade (29,4%).
 
Homens que migram: de seu estado ou região em busca de emprego ou por outros motivos.
 
Aspectos culturais: As mulheres que valorizam a autonomia, independência e busca profissional muitas vezes preferem morar sozinhas. É simplesmente uma opção, uma questão de ponto de vista.
 
 

Participação no mercado de trabalho

Segundo a última Síntese de Indicadores Sociais, a maior participação das mulheres no mercado de trabalho tem se concentrado em quatro grandes categorias ocupacionais que, juntas, compreendem cerca de 70% da mão de obra feminina: serviços em geral (30,7%); trabalho agrícola (15%); serviços administrativos (11,8%); e comércio (11,8%).
 
Existem diferenças entre Grandes Regiões. Em 2006, a participação feminina nos serviços foi maior na Região Centro-Oeste (36%); no Nordeste, 26,6% das mulheres eram trabalhadoras agrícolas; o serviço administrativo, por sua vez, foi mais expressivo para as trabalhadoras do Sudeste; e as atividades de comércio absorviam 15,5% das mulheres ocupadas no Norte.
 
Para as mulheres ocupadas mais escolarizadas, com média de 12 anos de estudo ou mais, a inserção no mercado de trabalho é mais intensa nas atividades de educação, saúde e serviços sociais (44,5%). No Norte, essas atividades absorvem 53% da mão-de-obra feminina mais qualificada. As outras atividades e a administração pública também concentram boa parte da mão-de-obra feminina qualificada: 14,9% e 11,2%, respectivamente. No Centro-Oeste, provavelmente pela presença da Capital Federal, observa-se a maior concentração de mulheres na administração pública (20%).
 
 

Educação

Nas áreas urbanas, a escolaridade média das mulheres é de 7,4 anos para a população total e de 8,9 anos para as ocupadas. No Brasil rural, a situação é bem diferente. Essas médias são baixas: 4,5 anos e 4,7 anos, respectivamente.
As áreas metropolitanas apresentam as maiores médias de anos de estudo. No Distrito Federal, a escolaridade média das mulheres ocupadas é a mais elevada (10,4 anos). Por outro lado, a menor média observada foi nas áreas rurais de Piauí e Alagoas (3,2 anos), ou seja, nessas áreas as mulheres que estão ocupadas podem ser consideradas analfabetas funcionais e inseridas em trabalhos precários.
 
s mulheres também estão à frente quando o assunto é ensino superior e a tendência é ao aumento da qualificação da parcela feminina da população brasileira. Em 1996, do conjunto das pessoas que freqüentavam estabelecimentos de ensino superior, a proporção de mulheres era de 55,3%, passando para 57,5%, em 2006. Isto mostra que os homens estão perdendo espaço no processo de escolarização, pelo menos, no que tange a taxa de escolarização superior.
 
 

Elas têm muito a dizer

“A mulher é tudo hoje em dia: esposa, mãe, amiga, companheira, estamos aí cada vez mais conquistando o nosso espaço. As mulheres estão se superando muito. A classe feminina se unindo, vai conquistando seu lugar no campo profissional, em todas as áreas, esportiva, científica, artística. A gente tem que pensar na gente mesmo, porque já pensa no marido, nos filhos, pensa em tudo e em todos. Mas e em nós mesmas, quem pensa na gente? Todas as mulheres devem pensar mais nelas mesmas. Se pensarmos mais em nós, o mundo vai acabar concordando e dar mais valor. Olhando só pra frente, as coisas melhoram e as portas vão se abrindo”, Zeferina, vencedora da São Silvestre de 2001.
 
"A data isolada do 8 de março não deve servir de referência para uma reflexão sobre a luta das mulheres contra a desigualdade, a discriminação e a violência que vem se agravando. A valorização da participação das mulheres, seja na forma como expressa a sua cidadania, na política ou na própria presença cotidiana na construção da cidade é indiscutível. Essa luta passa pela inserção no mercado de trabalho, na divisão das tarefas domésticas e até mesmo na maneira como até hoje elas são retratadas pelos meios de comunicação. Soma-se a isso a violência contra as mulheres, dentro e fora de casa, com estatísticas que envergonham a todos nós. Esse quadro de adversidades ganha uma importância maior quando se trata da maior cidade da América do Sul, onde vivem 3,6 milhões de mulheres acima de 18 anos, numa população de 10,4 milhões, de acordo com o censo do IBGE, de 2000. Esse fato aumenta a nossa responsabilidade de adotarmos políticas públicas voltadas para as necessidades e direitos das mulheres que podem ajudar a alterar suas condições de vida", ex-Prefeita de São Paulo.
 
“O que eu percebo hoje em dia, em todas as reuniões que vou, é que as mulheres são as cabeças. Elas são diretoras, responsáveis pelas decisões. Porque na década de 60, nós tivemos a revolução sexual, mas agora nós estamos no auge de uma revolução intelectual e assumindo. Trabalha, cuida de filho, da casa, dos negócios, numa correria só. Na peça Cócegas, tem uma personagem que é professora de ginástica, que retrata bem isso: ela tem um jargão que é dizer o tempo todo “vamo lá que eu tô sem tempo!” E num determinado momento, ela chega ao ponto de estar fazendo flexão e pregando um botão ao mesmo tempo. As pessoas riem muito, é muito engraçado. E essa é a mulher do terceiro milênio, que saiu pro mundo, mas levou a casa nas costas. Levou a casa nas costas, mas não deixou de ser mulher”, Heloísa Perrisé, atriz.

 

 

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