| 19/Mai/2009 | ||
| Debate em Jaguariúna reúne oito tendências do PT |
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O Partido dos Trabalhadores (PT), por meio da macrorregião Campinas, realizou no sábado, 16 de maio, um debate com oito de suas tendências. O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) falou em nome da Construindo um Novo Brasil. O evento aconteceu no teatro municipal Dona Zenaide, em Jaguariúna (SP). Três temas dominaram a pauta: crise mundial, atuação do PT e a relação do PT com a oposição. João Paulo abriu sua participação falando sobre a crise que assola o planeta. “Esta é um problema do capitalismo, que nasceu nos Estados Unidos e varre o mundo. Alguns países em desenvolvimento, em particular China, Índia e Brasil, mostram mais fôlego para sobreviver e começam a ultrapassar a fase mais aguda. Essa ultrapassagem não significa que imediatamente atingiremos a situação que tínhamos no final de 2007. O primeiro trimestre de crescimento do Brasil este ano, por exemplo, foi negativo, mas tivemos crescimento no varejo em relação a 2008. Também teremos um problema de debate público, porque tivemos um crescimento negativo no último trimestre do ano passado e no primeiro deste ano. Tecnicamente, os organismos mundiais declaram o país em recessão, mas é evidente que o Brasil começa a recuperar. Tudo leva a crer que vamos chegar em 2010 relativamente bem.” Em seguida, o deputado explicou as razões que levam o Brasil a resistir melhor. “Em 2002, nós interrompemos uma política que hoje teria levado o Brasil ao buraco mais profundo. O motivo básico para conseguirmos manter nossa economia viável, concreta, com pessoas comprando e vendendo produtos, é que mantivemos o sistema bancário estatal, que os tucanos queriam privatizar. Esse suporte ao sistema estatal deu garantia ao crédito continuar circulando na sociedade brasileira. A Caixa Econômica e o Banco do Brasil, por exemplo, saem mais fortalecidos dessa crise.” João Paulo também falou sobre os investimentos do Governo Lula que, mesmo diante da crise, continuaram sendo feitos. “Com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) colocamos vários bilhões de recursos circulando em obras, na educação, saúde, habitação, etc. No meio da crise, com ousadia, o Lula lança um programa para construir um milhão de casas.” Outra área explorada com mais detalhe pelo deputado foi a educação. “Se não fosse o PT e o Lula não haveria o debate das cotas. Metade das vagas das universidades federais será composta por gente oriunda da escola pública. Temos hoje quinhentos mil alunos se formando pelo Prouni. Essa é uma política com olhar acentuado para a maioria do nosso povo, das pessoas mais pobres e trabalhadores.” As questões internas do PT não foram esquecidas pelo parlamentar. “Este PED (Processo de eleições Internas do PT) não pode ser um acerto de contas, em minha opinião. O PED precisa ser um debate pra fora. Aqui em Jaguariúna, por exemplo, nós temos um vice-prefeito e quatro secretários. Quem vai ser presidente ou secretário do PT? Nós temos que debater, dizer o porquê do PT estar no governo, das razões de ter uma relação com o Lula e assim fortalecer as relações partidárias. Defendo uma chapa única se for preciso. Estamos tentando unificar o Gilberto Carvalho como presidente nacional. Acho que devemos ter um candidato a presidente estadual, um a presidente nacional e todos nós unidos. Para finalizar, João Paulo falou sobre a eleição de 2010. “Engana-se quem pensa que já superamos nossos adversários do passado. Vamos ganhar as eleições do ano que vem e vamos ganhar o governo de São Paulo porque está caindo de maduro, mas tem fruta que mesmo madura não cai se você não chacoalhar. Vamos ter unidade e apresentar nossos projetos, vamos fazer um Brasil melhor, um São Paulo melhor.” Tendências Otávio Antunes, do PT de Campinas, falou pela Mensagem. “A militância do PT tem que ir além na hora de discutir as regras da crise. Durante uma parte expressiva do século XX, a esquerda alimentou a idéia de que a saída automática para uma crise profunda do capitalismo seria uma saída revolucionária, uma saída socialista. Hoje, ficou bem claro que esta é a maior crise do capital desde a queda da bolsa de Nova York. As forças de esquerda, as forças revolucionárias enfrentem uma co-relação de forças ingrata. Penso que essa aparente lógica do século XX foi derrotada na prática pela cultura.” Para Renato Simões, da Militância Socialista, as políticas do Governo Lula precisam ser aprofundadas. “O Lula paralisou o processo de privatizações ocorrido no governo anterior, fortaleceu a nossa atuação na economia e investiu na criação de um mercado interno de massas. Investimos em ganhos sociais associados ao processo de fortalecimento de infra-estrutura com programas de habitação e saneamento. Tudo isso é muito bom, mas precisa ser aprofundado.” Já Alexandre Mandl, da Esquerda Marxista, criticou a posição do país em relação ao mundo. “O problema é que o Brasil continua como parceiro semi-industrializado, dominado e controlado economicamente pelo capital imperialista internacional e isso faz com que não tenhamos um mercado interno de massa, pois ainda não conquistamos uma soberania nacional por causa dessa economia imperialista. Por isso, não podemos aceitar as demissões ocorridas recentemente e o PT tem o dever de agir junto com os movimentos sociais.” Os Novos Rumos foram representados pelo deputado estadual Antonio Mentor, que foi ao ataque contra a política usada pelo PSDB. “A oposição criou essa CPI da Petrobras com um só objetivo: atingir a presidente do conselho de administração da Petrobras, que é a Dilma Roussef. Ali é que eles querem chegar, pois já estão notando o desenvolvimento e o crescimento da campanha da nossa querida Dilma, que vem arrecadando apoio dos mais variados setores da sociedade. Mas eles querem acabar com ela agora, um ano antes da eleição. Não há outra razão para a criação da CPI da Petrobras.” O vereador Lourival Oliveira, de Valinhos, falou pelo Movimento PT. “Acho que o PT deve realmente se aproximar dos movimentos populares e acredito que a vitória do Lula serviu como exemplo para o avanço da esquerda na América Latina. Na minha avaliação, o governo federal precisa fazer a reforma tributária urgente, precisa fazer a reforma política que ainda não foi feita. Nós precisamos disso. É importante para a classe trabalhadora e para a sociedade como um todo.” Josias Lech, do Partido de Luta e de Massa, fechou o debate defendendo o crescimento do PT. “As políticas públicas fazem o governo Lula ter 80% de preferência do eleitorado de certos bairros, de certas cidades. E este percentual não está necessariamente em parcelas sociais organizadas como sindicatos e igrejas, entre outras. Penso que essas pessoas devem sim entrar no Partido dos Trabalhadores. O Partido deve estar aberto, devemos acolher essas pessoas positivamente sensibilizadas pela boa política do governo federal.”
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