| 04/Mar/2009 | ||
| Para a mulher mais justiça, respeito, dignidade e reconhecimento |
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João Paulo Cunha Na passagem do Dia Internacional da Mulher, quero homenagear milhões de brasileiras que, no dia 8 de março, não recebem rosas, nem chocolates, nem parabéns da família. Brasileiras que não sabem, sequer, que 8 de março é o Dia Internacional da Mulher. Para elas, trata-se de um dia como outro qualquer — de trabalho, de sacrifício, de luta pela sobrevivência, de suor pelo pão de cada dia. São mulheres simples, pessoas humildes, cidadãs anônimas que ganham a vida honestamente como trabalhadoras domésticas; como agricultoras que dividem com os homens o cabo da enxada; como corajosas militantes que fazem maior e mais vigoroso o movimento dos sem terra, ao marchar pelos campos e cidades em nome do direito que têm a um pedaço de chão. Soubessem que 8 de março é o Dia Internacional da Mulher, penso que essas brasileiras não esperariam por discursos e presentes, saudações e cumprimentos. A homenagem que gostariam de receber é menos formal e menos pomposa: chama-se justiça, respeito, dignidade, reconhecimento. Em uma palavra: cidadania, para que possam realizar-se como pessoas e como profissionais, quando, com certeza, darão cada vez mais ao Brasil a importante contribuição com que já se empenham para que tenhamos uma sociedade mais próspera, mais justa e mais feliz.
Assim foi ao longo do século que passou, marcado, na história do Brasil, pela extraordinária ascensão social da mulher, no decorrer, principalmente, das últimas cinco décadas. Ascensão que não é devida à generosidade dos homens, à benemerência do estado, à filantropia do governo, mas, sobretudo, à obstinação com que elas próprias, mulheres, enfrentaram o machismo, a discriminação, o preconceito e a desconfiança que lhes impunha um sistema social conservador e retrógrado.
Direitos que hoje nos parecem tão legítimos — como o de a mulher votar e ser votada — são mais recentes do que muitos supõem: só em 1932, as brasileiras puderam ir às urnas para a eleição de que saiu a primeira mulher a tomar posse na Câmara dos Deputados, Carlota Pereira de Queirós. Tempo em que se contava nos dedos a presença feminina nas universidades, no comércio, na indústria, nas profissões tidas como “trabalho de homem” — a exemplo da engenharia e do jornalismo, do serviço público e da carreira militar. Atualmente, encontram-se mulheres em todos — rigorosamente todos — os tipos de atividade humana, em que se destacam, às vezes mais do que os homens, pela responsabilidade, pela dedicação e pela competência profissional com que desempenham suas funções.
Se algo já se fez, outro tanto resta por fazer. É gigantesca a dívida do Estado para com milhões de brasileiras, em domínios que vão do planejamento familiar à assistência pré-natal, do aleitamento materno à prevenção do câncer ginecológico, da violência sexual à exploração no trabalho. Em 2004, quando presidia a Câmara, criamos uma Comissão Especial da Mulher para debater esses temas.
Para finalizar, friso mais uma vez a necessidade de reduzirmos o descompasso que distancia o total de brasileiras do número daquelas que lhes dão voz na Câmara: há, no Brasil, mais mulheres do que homens, mas a bancada feminina ainda é muito pequena na Câmara. Que seja cada vez maior e mais significativa a presença da mulher brasileira no Congresso Nacional: juntos e solidários, vamos construir um futuro em que não haja pessoas de primeira e de segunda classe, mas homens e mulheres que se façam promotores da cidadania, do desenvolvimento, da paz e da justiça a que tem direito o nosso povo.
João Paulo Cunha (PT-SP), deputado federal.
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