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sexta, 03 de setembro de 2010
15/Ago/2008
Desafio em águas ultra profundas Imprimir E-mail

João Paulo Cunha

Depois da auto-suficiência, o Brasil poderá tornar-se exportador de petróleo. Segundo a Petrobrás, as reservas na Bacia de Santos apontam em torno  de 5 a 8 bilhões de barris, no mínimo.  O volume traz imensas oportunidades e um grande desafio. Viabilizar a produção em condições extremas, a sete mil metros de profundidade, abaixo da camada de sal, a chamada camada “pré-sal”. Em águas ultra profundas.

 
Transformar a promessa de Tupi em realidade será sinônimo da ousadia de uma companhia que tem histórico de superação desde a sua criação, em 1953, quando substituiu o Conselho Nacional de Petróleo.
 
As equipes de exploração eram lideradas por experientes geólogos norte-americanos e apresentavam relatórios desanimadores e sem perspectivas de produção em larga escala. Em vez de recuar a empresa reestruturou-se para atuar na fronteira do conhecimento: a exploração, termo que consiste na identificação de áreas em potencial e foi além das expectativas.
 
Geólogos brasileiros assumiram o comando para continuar buscando petróleo. Em terra, os resultados começaram a aparecer  em 1963 com a descoberta na bacia costeira de Sergipe-Alagoas, o campo terrestre de Carmópolis, um dos maiores do país.
 
Para a costa brasileira a Petrobrás concentrou seus esforços na década de 60 a partir dos estudos que apontavam um maior potencial petrolífero nas bacias marítimas. Os primeiros poços off shore (marítimos) foram perfurados em 1968 no espírito Santo e Nordeste, descobrindo sob o mar brasileiro, o Campo de Guaricema, na bacia de Sergipe.
 
Em 1974 a descoberta do Campo de Guaroupa, no Rio de Janeiro confirmou o potencial da Bacia de Campos, hoje a maior produtora nacional de petróleo. Começava então uma nova fase para a estatal brasileira de economia mista, a Petróleo Brasileiro S/A. A empresa ganhou destaque no cenário internacional pelo diferencial tecnológico na exploração e produção em águas profundas.
 
As perfurações seguiram a trilha indicada no trabalho de exploração e novas descobertas animaram os brasileiros: Potiguar, Ceará, Espírito Santo, Solimões, Camamu e agora, Santos. Nada mal para um país que há 50 anos esteve diante de um diagnóstico pessimista!
 
O que fez a diferença foi a decisão de enfrentar o desafio, de vencer as adversidades, de contrariar os prognósticos. Posicionamento que deverá se repetir em águas ultra profundas, agora com estímulos a mais. Tupi e Júpiter aparecem nas estatísticas entre as mais importantes descobertas dos últimos 10 anos e junto com Carioca e Bem-Te-Vi, vão elevar a empresa à condição de uma das maiores companhias do mundo do setor.
 
Segundo especialistas, a reivindicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), de que o Brasil terá uma 'cadeira' entre os grandes, faz muito sentido: quando essas reservas estiverem sendo exploradas, o País vai figurar também entre os maiores exportadores, confirmando o que nós, brasileiros já sabíamos. O Brasil é um país rico por natureza!
 
E antes que eu me esqueça, vale lembrar que a essa era uma empresa que os Tucanos queriam privatizar na gestão FHC. Não deu tempo. O petróleo é nosso.
 
 
João Paulo Cunha
Deputado Federal (PT-SP)
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