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terça, 06 de janeiro de 2009
30/Jul/2008
Onde fica a famosa verdade? Imprimir E-mail

Mino Carta

O mundo, como sempre, curva-se diante do Brasil. O enredo a seguir talvez pareça paradoxal. Não é. Os advogados de Daniel Dantas e a mídia aborígine trombeteiam que o banqueiro orelhudo conta com uma reviravolta no processo em andamento, graças à Operação Satiagraha, urdido com o sinistro propósito de colocá-lo em maus lençóis.

Viriam da Itália, da primeira para a última flor do Lácio, as informações destinadas a provar que o nosso DD é vítima em lugar de vilão. O Estadão, por exemplo, publica, na terça 22, imponente reportagem para revelar que espiões da Telecom Italia, a security comandada por Giuliano Tavaroli, montaram um esquema destinado a invadir a privacidade do banqueiro e do seu Opportunity. A Procuradoria de Milão, conta o jornal, denunciou a operação e incriminou 34 pessoas, a começar por Tavaroli. 

Maçã da discórdia, obviamente, o controle da Brasil Telecom. Ocorre, porém, que a verdade factual só dá mão do lado oposto. A Procuradoria de Milão visou apenas a espionagem na Itália e limitou-se a reconhecer que os 007 italianos tiveram excelente aprendizado no Brasil. Eis aí mais um capítulo de uma história cômica outrora de grande popularidade, Spy vs. Spy. 

Dantas convoca a Kroll para desvendar os segredos da Telecom Itália e esta, ao se perceber espionada, recorre a Tavaroli e sua turma. Mais talentosos no mister, os italianos não somente capturam o arquivo da Kroll, mas também a rica documentação em poder de Carla Cico, conterrânea a serviço do Opportunity. 

Inspirados pela ginga nativa, aspiram-lhe, literalmente, a extraordinária capacidade de tecer ardis, minar terrenos, arquitetar tocaias, vasculhar vidas privadas. Enfim, aspiram-lhe as manhas. Donde, a afirmação inicial. Tavaroli e sua turma cursaram com diligência invejável a escola brasileira e superaram os mestres, assim como os nossos torturadores, em outros tempos, conseguiram apurar as técnicas apreendidas com os especialistas da CIA. Certo é que neste cenário não há bala perdida. 

Na quarta 23 o próprio Estadão tenta, se bem entendi, corrigir o efeito da reportagem da terça. Os defensores de Dantas é que esperam aproveitar-se dos resultados da apuração milanesa. Nem sempre fica claro, porém, até onde vão as esperanças dos advogados e onde começam aquelas da mídia. Por isso, pergunto amiúde aos meus perplexos botões o porquê desta situação no mínimo ambígua. 

Por que a mídia evita evocar o passado do Opportunity, que de banco do PFL passou-se ao PSDB e floresceu à sombra do pássaro que não voa? Por que a mídia não contempla, em nome da verdade que enfaticamente afirma motivá-la, o papel do banco na duvidosa operação das privatizações? Por que a mídia insiste em circunscrever o caso ao escândalo do chamado mensalão como se os alvos, muito antes de Dantas, fossem o próprio presidente Lula, seu governo e o PT? 

Abundam os porquês sem resposta. Por exemplo: por que a Folha de S.Paulo publicou em abril passado reportagem de Andréa Michael que deixou Dantas e Cia. de sobreaviso quanto aos rumos da operação do delegado Protógenes? É possível imaginar que o chefe de Andréa, o chefe do chefe, e o chefe de todos os chefes não tenham percebido a importância das informações trazidas pela repórter? Ou que tenham permitido a publicação sem sua autorização? 

Não é possível dizer que o primeiro relatório do delegado Protógenes seja convincente nas passagens que dizem respeito à mídia. Falta substância, já foi escrito aqui. Sobra a impressão de que o policial não conhece os meandros desse labirinto. O comportamento midiático não deixa, entretanto, de ser estranho. Muito estranho.

 
Mino Carta é jornalista. Texto publicado originalmente na revista Carta Capital.
Comentários
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Luiz Soares Teixeira  - Dantas, apenas a ponta do iceberg 09:18:04 06-08-2008
Fui o empreiteiro honesto do sistema de telecomunicações durante muitos anos, e mesmo antes das concorrências boa parte das empresas já sabiam de quem era o obra, embora nunca tenha participado dessas situações sobrevivi trabalhando anos como terceirizado do sistema de telecomunicações e assisti de perto a criação da vergonha da privatização do sistema telebras, vergonha esta que começou ainda com o regime militar a 30 anos onde instituiu-se aqueles da burguesia que iriam comandar o sitema até a
privatização, entretanto o passarinho que não voa com a desculpa da privatização só fez fortalecer esse grupo, que hoje aliado aos estrangeiros são os maiores detentores de ações no sistema, e ainda gozam da simpatia destes como fornecedores e empreiteiros abocanhando e gozando do que lapidaram durante os ultimo 30 anos.
È preciso puxar o icemberg para fora, e vai aparecer muitos canadenses e sorocabanos neste meio, infiltrados no mercado financeiro.

O ideal seria construir um modelo de
nação que possa servir a todos e não uma minoria, e para isso o que se construiu nas telecomunicações precisa ser reordenado e corrigido.
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