| 21/Jul/2008 | ||
| Ministro e João Paulo participam da inauguração de memorial às vítimas da ditadura em Osasco |
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Um memorial em homenagem a três trabalhadores mortos durante a ditadura militar no Brasil foi inaugurado na sexta-feira, 18, em Osasco/SP. O tributo a José Campos Barreto, João Domingues da Silva e Dorival Ferreira é fruto de uma parceira entre a prefeitura de Osasco e a Secretária Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, capitaneada pelo ministro Paulo Vannuchi, presente ao evento. Integrante do projeto Direito à Memória e à Verdade, a homenagem tem o objetivo de recuperar a história recente do país e suas conseqüências nos dias atuais. “Este ato é lembrança de 40 anos atrás, mas acima de tudo é projeção do futuro. Estamos homenageando nas figuras de três heróis do povo brasileiro aqueles que optaram sempre pela defesa da liberdade, da justiça e de todas as causas da igualdade na busca da construção de um Brasil melhor”, afirmou o ministro.
Ao falar sobre a histórica greve de 68 em Osasco, Vannuchi expôs a diferença entre as Forças Armadas de hoje e ontem. “O Exército retomou ao seu lugar constitucional, que não era o de invadir as metalúrgicas em Osasco para sufocar greves legítimas por justiça social, por recuperação salarial, contra o arrocho e, acima de tudo, pela recuperação da democracia e da liberdade. Hoje, auxilia e atua como pacificador, haja vista a atuação no Haiti.”
Para o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) a homenagem é um justo reconhecimento. “Este é um dos eventos para lembrar os 40 anos da greve de 68 em nossa cidade, que também foi uma luta contra a ditadura vigente na época. A burguesia do nosso país soube muito bem no decorrer da história fazer uma disputa ideológica pela sua memória. Por isso é muito comum a gente encontrar em todo o país ruas, praças, avenidas, estradas chamadas de presidente Castello Branco, presidente Costa e Silva, Antonio Raposo Tavares, 31 de março, entre outras. De um tempo pra cá, temos conseguido resgatar os nomes de trabalhadores, de gente do povo que deu a vida por este país. Tenho no coração a lembrança da luta que aprendi com vários companheiros que hoje estão aqui. Quero dizer que sinto muito orgulho por Osasco ter preconizado em 68 a greve e o enfrentamento da ditadura a partir da luta dos operários”, comentou o parlamentar.
Figura destacada na Greve de 68, Roque Aparecido da Silva, coordenador de Relações Internacionais da prefeitura de Osasco, definiu o homenagem como emocionante. “Hoje, a prefeitura de Osasco e a Secretaria Especial de Direitos Humanos reconhecem publicamente toda a luta que foi travada nesta cidade, particularmente em 68 durante a greve dos metalúrgicos. Esta homenagem aos companheiros Barreto, João Domingues, Dorival Ferreira também é uma homenagem a todos que lutaram contra a ditadura. Recentemente, o prefeito Emidio deu o nome de Presidente João Goulart à recém criada avenida, em homenagem a este homem que também foi vítima da ditadura”, disse o coordenador.
Para Marco Antonio Rodrigues Barbosa, presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a história não pode esquecer os heróis populares. “A luta desses ícones possibilita hoje nosso trabalho para desvendar o que aconteceu naqueles anos de chumbo. A luta dessas pessoas precisa ser preservada para que nunca mais aconteça no país violência como a acorrida naquele período. Esta parceira da secretaria com a prefeitura é fundamental para que as novas gerações tenham consciência do que efetivamente aconteceu em Osasco e no país naqueles anos de chumbo.”
Esse é o terceiro memorial erguido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. O primeiro está na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e o segundo, no centro do Rio de Janeiro. Até agora foram homenageados Edson Luiz, Chael Charles Schreier, Hiroaqui Torigoi, Antonio Carlos Nogueira Cabral e Gelson Reicher. “Todas as vezes que passarmos por aqui e nos depararmos como este monumento, vamos nos lembrar deste passado de lutas e das tarefas que temos pela frente. Apesar dos avanços, ainda temos muito por fazer pela história dos trabalhadores”, comentou Jorge Nazareno, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco.
Logo após a inauguração do monumento, foi realizado o debate “O Movimento Estudantil e a Greve”, no Centro de Formação dos Professores. Participaram o jornalista Roberto Espinosa, Roque Aparecido da Silva e Jorge Nazareno.
Nesta segunda-feira, 21, acontece o debate “Impactos da Guerra do Vietnã, da Revolução Cubana e de Che Guevara na Conjuntura de 68”, no Centro de Formação dos Professores, às 19 horas. Dia 22, acontece a palestra “Martin Luther King e o Movimento Negro nos EUA”, no Centro de Formação, às 19 horas. Um evento em comemoração aos 45 anos do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco encerra a programação, dia 23, às 19 horas.
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