| 19/Jul/2008 | ||
| 1968: quarenta anos depois |
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João Paulo Cunha Quando o ponteiro do relógio cravou 9 horas da manhã, no dia 16 de julho de 1968, o sindicalismo brasileiro começou a mudar para sempre. Neste dia e hora os operários da metalúrgica Cobrasma, em Osasco, iniciavam a mais importante greve já realizada no Brasil. Tanto que, dez anos depois, os ideais dessa paralisação - organização de base, sindicalismo de massa e uma perspectiva mais democrática para a organização e ação sindical – foram resgatados com as greves do ABC, que projetaram o nome de Luiz Inácio Lula da Silva nacionalmente. Considerado por muitos como o “ano rebelde” do século XX, 1968 foi marcado por manifestações e greves no mundo todo. Em maio daquele ano, junto com mobilizações estudantis, acontece na França a principal greve operária da história contemporânea. Na Iugoslávia, estudantes manifestavam-se contra o regime político. Na Polônia, operários e intelectuais também foram às ruas contra a opressão e, alguns anos depois, este movimento resultaria na criação do sindicato Solidariedade. Na Tchecoslováquia, a Primavera de Praga abalou os fundamentos da ditadura instaurada desde 1948. Já nos EUA, as manifestações contra a Guerra no Vietnã incendiavam a nação. E estes são apenas alguns exemplos da efervescência vivida em 68.
No Brasil, pouco antes das greves em Osasco, os estudantes haviam ocupado as praças públicas para reivindicar educação pública gratuita de qualidade e uma reforma que democratizasse o ensino superior. Além disso, contestavam a ditadura vigente desde o Golpe de 64. O principal cenário desses manifestantes era o Rio de Janeiro, onde em 26 de junho de 1968 acontece a célebre Passeata dos Cem Mil.
Considerada na época a “Meca das esquerdas” devido à combatividade do Sindicato dos Metalúrgicos, Osasco, por meio dos operários, ergueu-se ao lado da capital fluminense e de cidades como Contagem (MG). No dia 16 de julho, os trabalhadores osasquenses pararam a Cobrasma, a Barreto Keller e a Lonaflex. Na manhã seguinte Brown Boveri e Braseixos seguiram o mesmo caminho. Todos reivindicavam melhores salários e condições de trabalho, além de protestarem contra o cerceamento às liberdades democráticas.
A fervura e a luminosidade deste dias foram demasiadamente intensas para os militares. E o golpe desfechado por eles seria duro. Na própria pele, entre tantos, o endurecimento do regime foi sentido por José Campos Barreto, um dos principais líderes da greve em Osasco. Após organizar e participar ativamente da paralisação da Cobrasma, Barreto foi preso e barbaramente torturado. Em 1971, no interior da Bahia, durante a vigência do AI-5, foi morto junto com o capitão Carlos Lamarca.
A greve em Osasco foi impiedosamente reprimida pelo governo, que estava decidido a não fazer concessões. Os dirigentes sindicais mais combativos caíram na clandestinidade e o Brasil viveu um longo período obscurantista.
Mas nem a tortura, a violência e as mortes impostas pelos militares foram capazes de apagar o destino traçado pelos fatos ocorridos em 1968. Os embriões como o Partido dos Trabalhadores (PT), gerados a partir deste ano pela luta operária, desenvolveram-se com força. Hoje, o presidente operário que alimentou-se dos ideais defendidos nas greves de Osasco, reduz as desigualdades sociais e torna o Brasil um país cada dia mais justo.
João Paulo Cunha (PT-SP) - Deputado Federal
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