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terça, 06 de janeiro de 2009
19/Jul/2008
1968: quarenta anos depois Imprimir E-mail

João Paulo Cunha

Quando o ponteiro do relógio cravou 9 horas da manhã, no dia 16 de julho de 1968, o sindicalismo brasileiro começou a mudar para sempre. Neste dia e hora os operários da metalúrgica Cobrasma, em Osasco, iniciavam a mais importante greve já realizada no Brasil. Tanto que, dez anos depois, os ideais dessa paralisação - organização de base, sindicalismo de massa e uma perspectiva mais democrática para a organização e ação sindical – foram resgatados com as greves do ABC, que projetaram o nome de Luiz Inácio Lula da Silva nacionalmente.

 
Considerado por muitos como o “ano rebelde” do século XX, 1968 foi marcado por manifestações e greves no mundo todo. Em maio daquele ano, junto com mobilizações estudantis, acontece na França a principal greve operária da história contemporânea. Na Iugoslávia, estudantes manifestavam-se contra o regime político. Na Polônia, operários e intelectuais também foram às ruas contra a opressão e, alguns anos depois, este movimento resultaria na criação do sindicato Solidariedade. Na Tchecoslováquia, a Primavera de Praga abalou os fundamentos da ditadura instaurada desde 1948. Já nos EUA, as manifestações contra a Guerra no Vietnã incendiavam a nação. E estes são apenas alguns exemplos da efervescência vivida em 68.
 
No Brasil, pouco antes das greves em Osasco, os estudantes haviam ocupado as praças públicas para reivindicar educação pública gratuita de qualidade e uma reforma que democratizasse o ensino superior. Além disso, contestavam a ditadura vigente desde o Golpe de 64. O principal cenário desses manifestantes era o Rio de Janeiro, onde em 26 de junho de 1968 acontece a célebre Passeata dos Cem Mil.
 
Considerada na época a “Meca das esquerdas” devido à combatividade do Sindicato dos Metalúrgicos, Osasco, por meio dos operários, ergueu-se ao lado da capital fluminense e de cidades como Contagem (MG). No dia 16 de julho, os trabalhadores osasquenses pararam a Cobrasma, a Barreto Keller e a Lonaflex. Na manhã seguinte Brown Boveri e Braseixos seguiram o mesmo caminho. Todos reivindicavam melhores salários e condições de trabalho, além de protestarem contra o cerceamento às liberdades democráticas.
 
A fervura e a luminosidade deste dias foram demasiadamente intensas para os militares. E o golpe desfechado por eles seria duro. Na própria pele, entre tantos, o endurecimento do regime foi sentido por José Campos Barreto, um dos principais líderes da greve em Osasco. Após organizar e participar ativamente da paralisação da Cobrasma, Barreto foi preso e barbaramente torturado. Em 1971, no interior da Bahia, durante a vigência do AI-5, foi morto junto com o capitão Carlos Lamarca.
 
A greve em Osasco foi impiedosamente reprimida pelo governo, que estava decidido a não fazer concessões. Os dirigentes sindicais mais combativos caíram na clandestinidade e o Brasil viveu um longo período obscurantista.
 
Mas nem a tortura, a violência e as mortes impostas pelos militares foram capazes de apagar o destino traçado pelos fatos ocorridos em 1968. Os embriões como o Partido dos Trabalhadores (PT), gerados a partir deste ano pela luta operária, desenvolveram-se com força. Hoje, o presidente operário que alimentou-se dos ideais defendidos nas greves de Osasco, reduz as desigualdades sociais e torna o Brasil um país cada dia mais justo.
 
 
João Paulo Cunha (PT-SP) - Deputado Federal
Comentários
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hélio josé alves  - Comentário sobre 1968 23:03:01 02-12-2008
Excelentíssimo Deputado João Paulo Cunha,

Fiquei emocionado pelo assunto que enfatiza o trabalho do meu amigo e irmão José Campos Barreto. O ano de 1968, já trabalhando na Santista Têxtil de Osasco, não pude acompanhar os movimentos, mas me sinto orgulhoso por ter sido um dos grandes amigos do Barretão, como nós chamávamos lá na 3ª Bateria do 2º Grupo de Canhões 90 milímetros Anti Aéreo. Fizemos o curso de formação de cabo juntos em 1966, e, naquele ano, pelo nosso desempenho, fizemos parte
da bateria branca para o tiro real que aconteceu na Praia Grande. O cabo 747, José Campos Barreto, por ser laranjeira, jargão usado para oriundos de regiões distantes, fazia parte do convívio de minha família. Nos finais de semana ele almoçava conosco e terminava o dia tocando violão e alegrando nossa família. Quando Dona Zefa, minha mãe, viu o Barretão morto, na revista CRUZEIRO, ela se emocionou pelo fato de considerá-lo como seu filho.
Apesar de não ter lutado ao seu lado, quando defendia
as causas do povo, me sinto orgulhoso por ter sido seu companheiro em outras oportunidades e conhecer a sua capacidade intelectual. Hoje sou "PT" porque é o Partido que defende o Brasil contra as influências Americanas e também um partido nacionalista.
Um abraço,
Hélio José Alves
Luiz Soares Teixeira  - Comentario sobre 1968 13:02:35 05-08-2008
Olá Ilmo Dep. João Paulo Cunha,

Espero que esteja bem, no ano de 1968 eu tinha apenas um ano de idade, mas tenho acompanhado com muita paixão esta história, e acredito também no presidente e no Deputado dos quais sou eleitor e que alimentam através do seu dia a dia esta bandeira de mudança, entretanto João Paulo, sei hoje que precisamos redobrar a nossa atenção
com as mudanças que vem ocorrendo com a esquerda, não podemos ter um movimento tão importante com este, e ve-lo perder o impeto de
1968, precisamos trabalhar muito para que o Brasil torne-se um pais melhor, e reorganizar e renovar nossas forças, não podemos e nem devemos deixar
esse motor perder a força.

Acredito em você e no Presidente Lula, e estou sempre defendendo esse projeto do qual hoje também luto e faço parte.

Luiz Soares Teixeira
Membro da igreja adventista so Sétimo dia, em defesa da lei de liberdade religiosa, e da ética das esquerdas.
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