| 04/Jul/2008 | ||
| A crise dos alimentos |
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João Paulo Cunha O presidente Lula anunciou esta semana o Plano Agrícola e Pecuário para 2008. A previsão é de R$ 65 bilhões para o agronegócio e R$ 13 bilhões para a agricultura familiar, um incremento de R$ 8 bilhões em relação a 2007. Essa é uma medida corajosa e ousada que o Governo toma para enfrentar a crise de alimentos. Crise que se expressa nos índices inflacionários preocupantes, mas não catastróficos como a imprensa brasileira divulga. O Ministro Guido Mantega apresentou uma previsão moderada para a inflação nos próximos períodos: 6,3% em 2008, 4,8% em 2009 e 4,5% em 2010. Todos dentro do centro da meta: 4,5%, com tolerância de 2%.
Um conjunto de fatores explica a crise: I. A ação de especuladores que, surpresos com a crise imobiliária americana, migraram para outros investimentos, em particular as commodities dos fundos de mercados futuros; II. O aumento do consumo em países em desenvolvimento, como a China. Grandes nações incorporaram milhões de pessoas ao consumo, inclusive no Brasil. Na China e Índia, além do aumento do consumo, há uma mudança no hábito alimentar, que os aproxima do Ocidente; III. A alta do petróleo também interfere nos preços dos fertilizantes e dos transportes. No Brasil, por exemplo, em cada grão de feijão, arroz, milho, soja ou em cada litro de leite o petróleo é responsável por 30% do custo final; IV. O protecionismo agrícola dos países ricos, que impedem países pobres de chegarem a mercados como o europeu.
No início de junho os principais líderes do mundo e dirigentes de organismos multilaterais realizaram em Roma uma reunião patrocinada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentos (FAO/ONU), que teve como objetivo discutir a erradicação da fome. Em que pese a timidez em tomar medidas urgentes, o relatório final da FAO reafirmou a meta de reduzir pela metade, até 2015, os famintos do mundo, apoiando os produtores de alimentos de países pobres. O desafio não é pequeno, pois quase 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo.
No Brasil, o Governo anunciou a safra recorde de grãos, que chegou a 144 milhões de toneladas. E isto é fruto da política do Governo Lula, que investe na agricultura e enfrenta a crise ao estimular e disponibilizar recursos para o avanço da produção de alimentos. Deste celeiro também surgiu a firme decisão de investir na produção do etanol, tornando o país menos dependente do petróleo, contudo, sem descuidar do trabalho da Petrobras na pesquisa e prospecção de novas áreas com elevadas reservas petrolíferas.
Também determina que se busque no nosso território – através do BNDES, Petrobras e iniciativa privada - a produção de fertilizantes (fosfato, potássio e nitrogênio) para reduzir nossa dependência e potencializar o uso da riqueza do nosso solo. O Brasil sofre com a inflação global, a escassez de alimentos e a fome no mundo. Contudo, ao invés de se resignar, luta para extrair da crise um facho de oportunidade para crescer e melhorar a vida do povo.
João Paulo Cunha (PT-SP)
Deputado Federal
Artigo publicado no jornal Diário da Região (Osasco-SP), na sexta-feira, 04 de julho. |
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