| 23/Jun/2008 | ||
| Desigualdade de renda nas regiões metropolitanas diminuiu 7%, aponta Ipea |
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A desigualdade de renda entre as pessoas ocupadas diminuiu 7% do quarto trimestre de 2002 ao primeiro trimestre de 2008. A constatação revelada nesta segunda-feira, 23, é de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizado nas regiões metropolitanas de Salvador, Recife, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre. De acordo com o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, a diminuição da diferença deve estar ligada à recuperação do poder de compra do salário mínimo observada nos últimos anos. Pochmann também atribuiu essa redução aos investimentos do setor produtivo, que possibilitaram a contratação de trabalhadores de menor renda.
Para que a diminuição da diferença de renda continue, Pochmann indica a necessidade da reforma do sistema tributário brasileiro. Ele avaliou que a proposta que tramita no Congresso Nacional não é suficiente. "A proposta é tímida em ações para diminuir o percentual do imposto pago pelos mais pobres", disse o economista.
O estudo do Ipea divide a população em dez grupos pela renda e mostra as variações nas médias salariais de cada decil. No acumulado do período, os três primeiros decis (com médias salariais de R$ 206, R$ 378 e R$ 422) tiveram aumentos salariais de 21,96%, 29,91% e 15,79%. Para efeito de comparação, os três decis mais ricos (com médias salariais de R$ 1.159, R$ 1.797 e R$ 4.853) acumularam ganhos de 2,3%, 2,1% e 2,6%.
"Geralmente, aqueles que têm melhor escolaridade tendem a ter melhores resultados, especialmente em um país onde há preconceitos como o racial e o de gênero. O crescimento cria um ambiente favorável, mas por si só não garante melhor distribuição intersalarial", disse o presidente do Ipea. O estudo, porém, diz que com a redução do desemprego e a expansão do PIB "seria razoável esperar um crescimento na demanda por mão-de-obra principalmente de menor valor e, por isso mesmo, uma elevação dos salários de base em relação aos extratos de mais elevada renda". O Ipea cita ainda o crescimento do pessoal empregado e o aumento da massa salarial e do número de carteiras assinadas como "efeitos benéficos" do crescimento econômico do País. Do ponto de vista conjuntural, o presidente do Ipea considera a alta dos juros e a inflação as maiores ameaças à tendência de diminuição das diferenças salariais identificada no estudo. Segundo o estudo, a participação dos salários no PIB tem se mantido estável desde 2004, revertendo uma tendência de queda verificada até então (de 40,3%, em 1995, para 35,8%, em 2002, segundo exemplo citado no estudo). O levantamento foi feito a partir dos microdados da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE. O Ipea é vinculado ao NAE (Núcleo de Assuntos Estratégicos) da Presidência da República. |
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