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terça, 07 de setembro de 2010
09/Mar/2007
Lula destaca união contra aquecimento global Imprimir E-mail

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que a visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao Brasil pode significar uma "aliança estratégica" que permita ao mundo lutar contra o aquecimento global. "Estou convencido de que os Estados Unidos, com sua grande capacidade tecnológica industrial, será um sócio e um parceiro extraordinário nesse empreendimento", afirmou Lula – em referência ao desenvolvimento do álcool combustível.

Usando capacetes da Petrobras, Lula e Bush visitaram a unidade da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em Guarulhos, onde o presidente dos Estados Unidos foi apresentado aos processos de mistura de álcool e gasolina e à a tecnologia brasileira no desenvolvimento de veículos biocombustíveis. Eles estavam acompanhados do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice.

Lula destacou a parceira estratégica entre os dois países para valorizar a nova matriz energética e concentrou sua fala nas questões ambientais e de geração de renda. "Esta é uma parceria ambiciosa e voltada para todos os aspectos da incorporação definitiva do etanol na matriz energética de nossos países. Esse acordo torna realidade uma idéia que nasceu por ocasião de um encontro em Brasília, em 2005, quando Bush conheceu a história de sucesso brasileira dos biocombustíveis. Eu tinha uma verdadeira obsessão pelos biocombustíveis", afirmou.

Para o presidente brasileiro, o planeta "precisa ser despoluído". "Nem sempre o mundo está preparado e apto para mudanças importantes. O planeta Terra precisa ser despoluído, e está nas nossas mãos, que o poluímos no século XX, a tarefa de o despoluirmos no século XXI", afirmou.

Para o deputado Fernando Ferro (PT-PE), o presidente Lula "fez um discurso tranqüilo centrado na gestão energética brasileira". "O presidente mostrou a relevância desta parceria para o crescimento econômico do país e ressaltou a importância da preservação dos recursos naturais brasileiros. Mostrou uma preocupação social e ambiental com a implantação dos programas de combustíveis renováveis e deixou claro a intenção brasileira na parceria", afirmou.

O deputado Carlito Merss (PT-SC) alertou que "o Brasil não pode virar um imenso canavial". "Temos que investir pesadamente no biodiesel, pois além da redução dos poluentes ele garante emprego para os pequenos agricultores", afirmou.

Lula procurou ressaltar o aspecto social da produção de biodiesel, citando a geração de emprego e de renda, sobretudo na região do semi-árido nordestino. O presidente brasileiro disse ainda que o acordo entre EUA e Brasil poderá colaborar para o desenvolvimento em outros países da América do Sul, do Caribe, da África e da Índia. "É preciso criar bases no mercado mundial. Temos uma responsabilidade e um desafio muito especial. É preciso superar a dependência dos combustíveis fósseis. No momento em que somos chamados para agir contra o aquecimento global, tudo o que fizermos será um ganho. A tecnologia é nossa grande aliada na empreitada, os ganhos no Brasil se refletem no desenvolvimento de novas tecnologias e na criação de uma matriz energética mais limpa", afirmou.

O presidente George W. Bush afirmou que a diversificação energética é uma questão de segurança para os Estados Unidos. "As pessoas se perguntam por que o presidente dos Estados Unidos se preocupa tanto com combustíveis alternativos, é simples: se dependemos tanto de um só tipo de combustível, dependemos também das decisões dos nossos fornecedores", disse.

Ele afirmou que pretende reduzir o consumo de gasolina nos Estados Unidos. Para compensar essa diminuição, Bush quer incentivar a ampliação em sete vezes do consumo de biocombustíveis, como o álcool e o biodiesel. A meta é elevar o consumo 5 bilhões de galões por ano para 35 bilhões de galões por ano na próxima década.

Para o deputado Fernando Ferro, a visita de Bush ao Brasil "abre uma janela de possibilidades imensa na área de biocombustíveis". "Mas me preocupa a perspectiva dos EUA de redução da dependência dos fornecedores, especialmente dos países árabes, que são pólos extremamente tensionados politicamente. A manutenção dessas parecerias comerciais sai cara para os EUA. Com certeza eles não vão querer ficar dependentes do Brasil nessa mudança de matriz energética", afirmou.

Segundo Carlito Merss, o presidente George W. Bush "tem boas intenções". "Mas primeiro os Estados Unidos devem cumprir o Protocolo de Kyoto e reduzir as taxas de importação, o resto é discurso vazio", afirmou.

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