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terça, 06 de janeiro de 2009
02/12/2005 - Discurso Ato-Plenária em defesa do Mandato, em São Paulo Imprimir E-mail
“É um prazer fazer mais essa plenária que é uma tradição do nosso mandato, na qual fazemos um balanço do nosso ano e preparamos minimamente as ações do outro ano. É claro que essa plenária tem uma peculiaridade, ela se realiza no meio de uma crise e por isso adquire uma importância singular.

Mas eu queria iniciar agradecendo a presença de todos, agradecendo o nosso companheiro Paulo Frateschi, presidente do PT Estadual, na pessoal dele quero saldar todos os diretórios presentes aqui, as macros. Queria saldar o companheiro Paulo Fiorino, que é presidente do Diretório Municipal da Capital, e na pessoa dele saldar os diretórios municipais também. Saldar os nossos deputados estaduais, o companheiro Vacareza, o companheiro Fausto, que usou a palavra, a companheira Ana do Carmo, a companheira Maria Lúcia Brandi, o companheiro Simão Pedro, o companheiro Adriano Diogo, o companheiro Carlinhos Almeida, o companheiro Antonio Mentor, o companheiro Ítalo Cardoso, o nosso companheiro, não esqueci nenhum não, né? Por que eu que fiz aqui o cerimonial (...). Queria agradecer os nossos prefeitos, companheiro Mauro, do Patrocínio, companheiro Rubinho, de Ribeirão Bonito, companheiro Tinho, de Dobrada, companheiro Ailton, de Ribeirão Corrente, companheiro Marco Aurélio, de Jacareí, companheiro Paulinho Bururu, de Jandira, Geraldinho, de Embu, Emídio, nosso companheiro Maffei, de Porto Feliz. Queria agradecer a nossa companheira Marta Suplicy, ex-prefeita, companheira que tem me ajudado em todas as horas, nas horas boas e nas horas ruins, sempre ligando, se colocando à disposição, sempre presente, agradeço muito a sua presença, Marta. Eu queria agradecer todos os vereadores presentes nas pessoas da companheira Amélia, de São José dos Campos, a Edna, da Macro Região de Ribeirão Preto, o nosso companheiro João Paulo, da macro de São José do Rio Preto, o nosso companheiro Batata, da macro de Bauru, o nosso companheiro Ferreira, do ABC, nosso companheiro Arno, da Macro de Sorocaba, o nosso companheiro Jaime, da região de Campinas, e presidente da Câmara de Valinhos, e nossos vereadores de Osasco, Aguimarães, Nelsinho, Rubinho, Aluísio Pinheiro, Marcos Martins e Sonia Rainho, Ulisses, da macro de Guarulhos, todos os vereadores presentes aqui. Queria agradecer muito a presença do companheiro Aloísio Mercadante, nosso senador, líder do governo, que tem defendido com muita honra, com muita garra, o nosso partido, o nosso governo, tem sido peça fundamental para o nosso governo no Senado Federal. Tem sido o jogador de todas as posições no Congresso e no partido. E no governo tem ajudado muito também. Eu agradeço a presença do nosso companheiro Aluisio Mercadante. E agradeço também a presença do nosso companheiro João Felício, presidente da CUT, na pessoa dele saldar todos os movimentos presentes aqui e o nosso companheiro Zé Dirceu, que veio participar desse ato já com seu processo consumado, mas certamente com sua honra, sua coragem e sua disposição no lugar que sempre esteve e, acima de tudo, a disposição de ajudar a continuar mudando o Brasil. Obrigado pela sua presença, Zé.

Eu queria dizer para vocês que a realização dessa plenária na crise, ela também é um bom momento para gente fazer uma reflexão, reflexão dos erros que cometemos, alguns deles já assumidos do ponto de vista legal e de alguns erros políticos para que a gente não os cometa mais. Eu tenho insistido nisso.

Essa crise que nós vivemos não é uma crise de natureza ética, é uma crise de natureza política. Quem julga erro político é o povo, quando o partido erra politicamente, quem faz o seu julgamento são os filiados daquele partido. Experiência de partido de esquerda em crise, nós temos no mundo todo. O mundo vive experiência em partidos de esquerda e quem julga é o povo, quem julga são os seus filiados. Os filiados do PT já deram sua demonstração. No Processo de Eleições Direta, nós tivemos uma participação espetacular, elegemos as novas direções nos municípios, nos estados e a nova direção nacional. Nós mostramos para o Brasil que a crise para o PT é uma crise política e para crise política o remédio são políticas.
Acusar o companheiro Luizinho de corrupção, por 20 mil reais? Que praticou o mensalão? O Luizinho, líder do governo na Câmara dos Deputados. Companheiro que não tinha ninguém de defender mais o governo do que ele. Ele é acusado de ter vendido o seu voto para apoiar o governo do Lula. Acusado por 20 mil reais usados para ajudar vereadores do ABC, alguns vereadores. Por isso Luizinho, mesmo que você não use a palavra aqui, eu quero que saiba que estou absolutamente no mesmo passo que você.
Deixamos tomar corpo isso. Tomar corpo que o companheiro Mentor é responsável por esconder dados, por fazer a CPI do Banestado de um jeito ou de outro. Se vocês ouvirem a defesa do companheiro Mentor, vocês vão ver o tamanho da injustiça. O escritório dele prestou serviço como todo escritório pode prestar em qualquer lugar do país, recebeu por isso e é acusado de quebrar o decoro, por causa disso, não! Por que ele foi na CPI do Banestado, mas o que ele fez na CPI do Banestado? Tudo que ele quis fazer, não o deixaram fazer e agora ele paga por aquilo que ele não fez e que deveria ter feito e que não deixaram ele fazer.

O companheiro Mentor está presente aqui e ele sabe que eu estou junto com ele no mesmo passo e queria, companheiro, dizer que há alguns companheiros que têm sido fundamentais, porque na hora da crise você quem são de fato os seus amigos. Eu tem aqui um companheiro na bancada que eu quero falar, que é o companheiro Luiz Eduardo Grenhalgh, companheiro de primeira, não por mim não, pela bancada, por todos os envolvidos, pelo partido, pelo governo. O Luiz Eduardo tem dado todo o seu tempo para fazer esse trabalho. Esse é companheiro de primeira, assim como o companheiro Devanir que é nosso parceiro de dia, de noite, todo tempo, nos plenários, nas comissões, sempre conosco, que está presente aqui também. E o companheiro Luiz Sérgio, do Rio de Janeiro, que veio manifestar seu apoio.

E nós companheiros temos de continuar dizendo que essa disputa é política. Bem disse o Mercadante, basta você olhar o que o nosso governo fez nestes dois anos e dez meses, basta você começar a pensar o que vai ser a partir de janeiro e fevereiro do ano que vem, quando a gente começar a falar, basta você começar a dizer que não pediam um salário mínimo de 100 dólares e agora está 130. É pouco? É pouco, mas já não é importante? Basta começar a dizer que o arroz Tio João, que está nas prateleiras do supermercado, que quando o Fernando Henrique deixou o seu governo custava 10,00, 12,00 o pacote de cinco quilos. E hoje está 5,50 ou 6,00. Basta você falar do preço da lata de óleo. Basta você falar do preço do cimento e quem anda na periferia vê, todo lugar tem um puxadinho, tem um muro sendo levantado, uma calçada sendo feita. Por quê? Porque o cimento estava 21,00, hoje está 11,00, 12,00, 10,00. Mas se não bastasse isso, vamos ouvir a vida das pessoas. Ainda não está boa? Claro que não. É secular os nossos problemas. Mas não é razoável que o Brasil tenha parado de desempregar os pais de família? Não é bom que o Brasil tenha gerado 3 milhões e meio de novos empregos? Não é bom a gente dizer que no ano que vem vamos completar 230 mil, como disse Mercadante, de alunos no ProUni? Filhos de quem? Dos pobres. Não é bom isso. Não é bom dizer que depois de anos, décadas, séculos, o povo reclamando da seca e nós vamos fazer a transposição da água do São Francisco e que não há gente, tecnicamente, nenhum problema e que se nós tivermos a oportunidade podemos dizer ao povo ficar tranqüilo, porque onde houver água em abundância não vai perde-la, a diferença é que vamos levar água para onde não tem. Tantos anos falando de seca e nós vamos fazer e agora vamos fazer a Transnordestina.

Se pegarmos os 50 anos da nossa economia, onde combinou crescimento econômico, infração controlada, balança positiva? Isso não é pouco. Quando começarmos a dizer isso para o povo, o povo vai entender, o povo não vai acreditar, nem em Osasco e nem na região, que eu sou corrupto. Gente, me acusar de corrupção. O povo de Osasco sabe. Eu vivo naquela cidade há 40 anos, morei em duas casas. O povo de lá sabe como eu ando, como eu vivo, como vive a minha família. O povo de lá sabe os meus compromissos. O povo está sabendo que quando administrei a Câmara o orçamento era 2 bi e meio por ano, administrei 5 bilhões, centenas de contratos, nunca acharam uma vírgula de erro, porque eu nunca perguntei. Agora, nós podemos falar o que a Câmara fez, podemos pegar as reformas: a Tributária, a Previdenciária, a Reforma do Judiciária, mesmo que ainda tenha muito a ser feito, nós podemos pegar o Estatuto do Desarmamento, do Idoso, do Torcedor, a Lei de Falência, as Parcerias Público-privadas, quando tirei os vidros, fazendo com que a população que vai assistir ás sessões ficarem mais próxima dos deputados. Agora, me acusarem de manipular um contrato. Eu que coloquei todos os contratos na internet. Acesse a página da Câmara, todos os contratos estão lá. O contrato da empresa que limpa a piscina da residência oficial ao contrato de publicidade está lá. Quer dizer que eu manipulei o contrato? Para quê? Para praticar o mensalão?

Os pressupostos do mensalão todo mundo sabe. O relator escreveu praticou mensalão aqueles deputados que receberam para mudar de partido. Eu mudei de partido? O Luizinho mudou de partido? Mentor mudou de partido? Pois bem, praticaram mensalão aqueles deputados que receberam para votar com o governo. Eu, Mentor, Luizinho? Praticaram mensalão aqueles que praticaram caixa dois. Eu não era candidato, eu não fiz caixa um, como vou fazer dois. Ou seja, não há razão para enquadrar a gente em qualquer coisa, por isso que estão mudando: já não importa mais, não é mensalão. Eu pedi dinheiro para o Delúbio, sim. Pedi e fiz o que todo mundo deveria fazer, porque eu sou conseqüente com aquilo que eu faço, com aquilo que eu falo. Fui eu que, em nome do PT, apresentei o projeto público de campanha. Fui eu que, em nome de uma banda grande do PT, apresentei o projeto para votação em lista. Eu lutei pela reforma política, só não fiz porque as condições e realidade impediram, mas eu queria votar e se eu tivesse votado não teríamos tido esse problema que passa e passará por nós e irão para outras pessoas, pois é um problema do sistema e nós queremos mudar esse sistema, por isso que nós sugerimos financiamento público, por isso que nós queríamos votação em lista. E eu fiz o quê? Fui procurar com o tesoureiro do meu partido, do PT, e ele se dispôs a ajudar e ajudou quem: Emídio, Paulinho, Sérgio Ribeiro, Geraldinho. Essas foram as ajudas que nós fizemos (...) estou respondendo no Conselho de Ética, com humildade, mas de cabeça levantada, estou respondendo na Câmara dos Deputados, com humildade, mas de pé, eu estou sofrendo, mas eu estou de pé, porque sei que o que fiz foi correto. Eu não peguei nenhum real para mim, nenhum produto para mim, não precisei disso, o que eu fiz foi pela política. E nós, companheiros, estamos conversando com os deputados e tenho certeza de que esse voto, esse acontecimento com o Zé Dirceu não vai acontecer conosco. Tenho certeza, porque eu tenho conversado com os deputados de todos os partidos, mostrando para eles aquilo que envolve cada um de nossos mandatos. Aplicar a pena da cassação equivale a aplicar a pena de morte, a pena capital para quem quer continuar fazendo política com o mandato. Isso é justo?

E nós vamos mostrar para cada um dos deputados que o que queremos é fazer uma mudança sistêmica que possibilite que nenhum mais dos senhores deputados, nem do PT e nem de outro partido qualquer, corram o risco de daqui 3, 5 8, 10 anos, cair na mesma armadilha. É isso que estamos fazendo e nós vamos continuar fazendo, porque nós sabemos que na realidade é possível ainda que a justiça seja restabelecida lá na Câmara e no seu plenário. Nós vamos continuar trabalhando e eu tenho certeza, companheiros, que esse ato aqui singelo, modesto, mas esse ato tem um calor, tem um carinho, tem uma força que a força de ser reproduzido no Estado de São Paulo, é a força de se reproduzir a favor do Luizinho, a favor do Mentor, ao meu favor, e também pela participação do Zé Dirceu. Este ato é para que consigamos reproduzir e fazer com que a política volte para a arena, que a política volte para o centro do debate e aí que queremos fazer a disputa e é exatamente aí que nós vamos poder dizer que o Brasil começou a mudar e o Brasil vai mudar muito mais, porque o Brasilestá no caminho correto, porque o Brasil está de fato começando a mudar e melhorar a vida do seu povo. Eu tenho muito orgulho, companheiros e companheiras, de em 2 anos e 8 meses ter dado uma modesta contribuição para fazer esse Brasil que estamos vendo agora e que tem muito por fazer. E eu quero continuar e eu tenho certeza de que nós vamos continuar essa marcha por um país melhor. E cada um que acreditar nisso, a partir desse ato, vai começar reproduzir. Cada um que acreditar e continuar acreditando no nosso partido, que é possível arrumar os erros que cometemos, que é possível redirecionar o partido, que é possível fazer com que o partido comece a fazer o seu caminho do segundo mandato, redefinindo uma série de políticas para o nosso segundo mandato. Àqueles que acreditam no sonho de um país melhor, está convidado a juntar as mãos a partir de hoje para que a gente faça justiça na Câmara, justiça no Brasil, justiça com o PT e que a gente possa efetivamente, companheiros, com segurança, dizer que nós estamos ajudando a mudar o Brasil para melhor, pelos nossos filhos e pelo futuro. Um abraço, muito obrigado e até a vitória.”


João Paulo Cunha (PT-SP)
Deputado Federal

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