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sábado, 13 de março de 2010
14/04/2005 - Pronunciamento sobre a atitude do presidente Lula na África Imprimir E-mail
Proferido em 14 de abril de 2005, em sessão na Câmara dos Deputados

O SR. JOÃO PAULO CUNHA (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, não vi nenhuma manifestação esta tarde no plenário a respeito do assunto, mas gostaria, com a permissão de V.Exa., de expressar minha opinião - opinião que, acredito, seja a da maioria desta Casa.

O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, encontra-se hoje em território africano. E, ao visitar um dos países do seu roteiro, pediu perdão ao povo africano pelos séculos em que vigorou a escravidão em nosso País. E também pediu perdão por atos de racismo que recorrentemente sucedem no Brasil.

Trago à tona a atitude do Presidente Lula para lembrar fato ocorrido ontem à noite no Estádio do Morumbi, que deveria ser palco de mais um jogo de futebol, esporte que atrai e apaixona milhões de pessoas em todo o mundo.
O jogo transcorria normalmente - o time do São Paulo ganhava - quando um jogador argentino agrediu verbalmente, porém de forma reincidente, o jogador brasileiro Grafite, que é negro. O jogador brasileiro, então, movido por um sentimento de indignação, revidou fisicamente a agressão do jogador argentino, o que não se justifica, e foi expulso.

Em seguida, o jogador brasileiro teve a coragem de procurar a Polícia e denunciar que, mais uma vez, havia sido vítima de racismo; que o jogador argentino o teria chamado de negro, de macaco, tendo ainda lhe mandado enfiar uma banana... - o delegado recusou-se a dizer o local.
Sr. Presidente, sob a luz da legislação brasileira, esse comportamento constitui crime. Assim que o fato foi denunciado, o Delegado foi ao Estádio do Morumbi e prendeu o jogador argentino.

Peço a V.Exa., Sr. Presidente, e aos Deputados desta Casa que, primeiro, manifestem apoio à Polícia paulista, porque o que ela fez foi cumprir a lei - e a lei deve ser observada por todos os que estão no território brasileiro; segundo, expressem solidariedade ao jogador Grafite, que teve a coragem de denunciar tal fato; terceiro, comuniquem ao Itamaraty nosso entendimento de que aquele Ministério não deve considerar o caso como uma crise diplomática, mas como desrespeito às leis vigentes em nosso País.
Todos estamos acompanhando, em vários países pelo mundo afora - Espanha, Portugal, Alemanha -, jogadores brasileiros serem vítimas de atos de racismo. Temos de fazer uma grande aliança contra o racismo, no Brasil e no mundo. E a Câmara dos Deputados, do meu ponto de vista, não pode ficar fora desse movimento.

Com a oportunidade que V.Exa. me proporciona, Sr. Presidente, deixo registradas a correção da Polícia paulista, a coragem do jogador e, acima de tudo, a disposição do nosso Pais, por meio do seu corpo diplomático, de não considerar o episódio como uma crise diplomática, longe disso, mas pedir respeito à legislação brasileira.

O jogador argentino deve pagar de forma exemplar pela prática do crime de racismo.

Muito obrigado. (Palmas.)


João Paulo Cunha (PT-SP)
Deputado Federal

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