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O SR. PRESIDENTE pronuncia o seguinte discurso:
Sras. e Srs. Deputados, no dia 17 de janeiro de 1909, plantava-se no chão da Amazônia uma semente de cultura e de saber: a “Escola Universitária Livre de Manáos”, primeira instituição de ensino superior aberta no Brasil. Desse estabelecimento pioneiro, originou-se a UFAM Universidade Federal do Amazonas, que em 2004 completa, pois, 95 anos de história em favor da educação amazonense e do progresso brasileiro.
Requerida pela nobre Deputada Vanessa Grazziotin e outros ilustres Colegas, a sessão solene comemorativa do nonagésimo quinto aniversário da UFAM é justa homenagem à instituição que, há quase um século, trabalha pelo desenvolvimento da Amazônia e pela grandeza do Brasil. Somos todos testemunhas da importância dessa obra, sem a qual não seriam os amazonenses construtores do futuro de justiça e de prosperidade a que temos direito.
Em 1909, governava o Brasil Affonso Penna, sexto Presidente da República, que falece no exercício do mandato: empossa-se o Vice-Presidente, Nilo Peçanha, em meio à disputa pela sucessão presidencial em que Hermes da Fonseca vencerá Ruy Barbosa, para assumir o poder em 1910. Naquele tempo, não chegavam a 400 mil os habitantes do Estado do Amazonas, entre os 22 milhões a que se resumia a população brasileira.
Embora poucos, em termos numéricos, propunham-se os amazonenses a ter uma educação superior igual à dos grandes centros. Assim, fundou-se a “Escola Universitária Livre de Manáos” com os cursos de Ciências Jurídicas e Sociais, Ciências Naturais e Farmacêuticas, Agrimensura, Ciências e Letras, Engenharia Civil e Agronomia. Em 1913, transformou-se a instituição na “Universidade de Manáos”, que passou a Universidade Federal do Amazonas em 1962, com instalação oficial em 1965.
Hoje, possui a UFAM onze unidades acadêmicas, com 2.517 vagas para 41 cursos. Além do campus universitário em Manaus, dispõe de unidades nos municípios de Benjamin Constant, Coari, Itacoatiara, Parintins e Humaitá, com projetos de novos campi em Borba, Manacapuru, Lábrea, Eirunepé e São Gabriel da Cachoeira. Interiorizando-se, volta-se a Universidade para dentro da Amazônia, a fim de conhecê-la melhor para dar solução aos seus muitos problemas.
Se no ensino de graduação há o curso de Engenharia Florestal, na pós-graduação oferecem-se mestrados em Ciências Florestais e Ambientais, Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Patologia Tropical, Química de Produtos Naturais e Sociedade e Cultura na Amazônia. Como se vê, nas salas de aula e nos laboratórios da UFAM sente-se a realidade da Amazônia, para fazê-la mais próspera, mais digna e mais justa.
Este, o desafio que se mostra à universidade moderna, à educação atual: converter-se em fator de um grande projeto de desenvolvimento nacional, de crescimento econômico, que busque, de fato, a promoção da cidadania e da justiça social. A universidade, que por tanto tempo se isolou em uma torre de marfim, tem agora os pés no chão, para servir a sociedade que dá sentido e razão aos estudos acadêmicos.
Aos diretores, professores, pesquisadores, alunos e servidores da Universidade Federal do Amazonas, a homenagem e o reconhecimento da Câmara dos Deputados, pelos 95 anos de história e de luta que os fazem multiplicadores do conhecimento, semeadores da cultura, mensageiros do saber. Instituições como a UFAM nos dão a certeza de que o desenvolvimento do Brasil e o futuro do povo brasileiro passam pela Amazônia.
João Paulo Cunha (PT-SP)
Deputado Federal
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