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sexta, 30 de julho de 2010
10/Dez/2003
10/12/2003 - Discurso em homenagem ao dia do marinheiro e ao Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva Imprimir E-mail

O SR. PRESIDENTE pronuncia o seguinte discurso:

Sras. e Srs. Deputados, o Dia do Marinheiro, comemorado em 13 de dezembro, é das mais importantes efemérides do calendário cívico nacional, porque são poucas as instituições ligadas tão profundamente à história do povo brasileiro quanto a Marinha do Brasil. Requerida pelo ilustre Deputado Reginaldo Germano, esta sessão solene homenageia dois grandes militares, que honram e dignificam as nossas Forças Armadas: o Almirante Tamandaré, glória da Marinha brasileira, e o Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, cujo trabalho pelo progresso da ciência o faz merecedor da nossa admiração e do nosso respeito.

Dois extraordinários brasileiros, dois almirantes que simbolizam o passado e o presente, o herói de guerra e o cientista da paz, representantes das peculiaridades do tempo em que viveram e das forças que, em cada época, definem as relações entre os governos e os povos.

Nascido em 1807, no Rio Grande do Sul, Joaquim Marques Lisboa viera ao mundo para navegar, para descobrir o mistério dos oceanos e o segredo dos mares. Com apenas 17 anos ingressa na Marinha, para protagonizar reluzente trajetória que o levaria às culminâncias da carreira. Por mais de seis decênios, o futuro Almirante Tamandaré notabilizou-se por uma gigantesca luta em prol da integridade nacional, da unidade territorial, do destino grandioso que se anunciava para os brasileiros.
Da Confederação do Equador, em 1824, à Guerra do Paraguai, entre 1865 e 1870, Tamandaré deu eloqüentes provas de civismo, de vocação militar, de bravura pessoal e de amor à pátria. Quando morreu em 1897, aos 90 anos, fizera-se digno da admiração dos contemporâneos e do reconhecimento dos pósteros, por toda uma vida consagrada ao cumprimento do dever, à glória da Marinha e à grandeza do Brasil.

Nascido no Rio de Janeiro, em 1889, Álvaro Alberto foi, além de brilhante oficial de Marinha, engenheiro, professor, cientista e escritor. Estudioso das questões relacionadas à energia nuclear, e da influência que podem exercer sobre as relações internacionais, o brasileiro defende a tese das “compensações específicas”: os países produtores de matérias-primas nucleares não devem ser pagos apenas em dinheiro, mas em instalações, equipamentos e tecnologias que lhes ensejem dominar a ciência do átomo.
Representante brasileiro na Comissão de Energia Atômica da ONU, e presidente, de 1951 a 1955, do CNPq, então Conselho Nacional de Pesquisas, o Almirante Álvaro Alberto opôs-se corajosamente aos interesses norte-americanos, segundo o que certa vez disse: “No mundo de amanhã não haverá lugar para os incapazes, os fracos, os entibiados, os retardatários na conquista da Ciência e da Tecnologia, e que só estas podem propiciar.”

Falecido em 1976, aos 87 anos, deixou-nos o Almirante Álvaro Alberto uma preciosa lição: a de que aos brasileiros cumpre defender o Brasil, ainda que tenhamos de lutar contra o peso dos mais fortes e o poder dos mais ricos. Assim tem feito a Marinha, nos 181 anos em que a sua Esquadra desenvolve, na lonjura dos mares e na solidão dos rios, um portentoso trabalho não só de patrulhamento e defesa, mas de assistência médico-hospitalar, de promoção social e de desenvolvimento humano.
A todos os que fazem a Marinha do Brasil, a saudação, a homenagem e o reconhecimento da Câmara dos Deputados. Que vultos como o Almirante Tamandaré e o Almirante Álvaro Alberto sirvam de exemplo aos que honram a farda que vestem, ao trabalhar por uma nação livre e soberana, digna e próspera, amada pelo seu povo e respeitada pelo mundo.


João Paulo Cunha (PT-SP)
Deputado Federal 

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