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sexta, 30 de julho de 2010
04/12/2003 - Discurso durante a V Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente Imprimir E-mail
No Brasil, a criança e o adolescente nos despertam o sentimento do carinho, da solidariedade, da atenção, do zelo, mas, sobretudo, da responsabilidade. Sobre cada brasileiro, pesa um enorme compromisso para com os adultos de amanhã, os cidadãos do futuro, os milhões de meninas, de meninos e de jovens aos quais temos não apenas o dever de legar um País melhor, mais próspero e mais justo, mas a obrigação de prepará-los para que levem adiante o projeto de desenvolvimento econômico e de dignidade social a que têm direito todos os povos.

A realização desta V Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente nos anima e nos revigora. Demonstra que não subestimamos o problema, que não desprezamos a questão. Muito já foi feito, mas outro tanto, ainda, resta por fazer. Votamos e aprovamos, no Congresso Nacional, o Estatuto da Criança e do Adolescente, uma das melhores e mais modernas legislações do mundo na matéria. Não bastam, porém, a elaboração da lei, a vigência dos dispositivos, o dar a conhecer suas virtudes: é preciso pô-los em prática, fazê-los realidade cotidiana, concreta e efetiva para toda criança, para cada adolescente. Lutar, contínua e obstinadamente, para que passem de privilégios de poucos a direitos de todos.

Índices recentemente divulgados pelo IBGE nos preocupam, nos inquietam, nos amedrontam. São milhões, ainda, os pequenos brasileiros sem escola, sem saúde, sem esporte, sem cultura, sem lazer — enfim, sem futuro, sem esperança, sem dignidade. Juntem-se, a esses, as pobres vítimas do trabalho infantil, do trabalho escravo, da exploração sexual, da prostituição infanto-juvenil, do tráfico de drogas. Temos o dever moral, a obrigação ética, a incumbência política de oferecer a essas criaturas opções à violência, ao crime, ao ócio, ao narcotráfico. Não queiramos, os adultos de hoje, ser condenados amanhã por havermos assistido a toda uma geração entregue à decadência humana, à degradação social, à dissolução moral, à ruína ética.

Passemos, pois, da intenção ao gesto, da palavra à ação, do discurso ao trabalho. Esse, o sentimento de confiança com que, em nome da Câmara dos Deputados, saudamos a V Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Com integridade moral, decisão política, competência técnica e rigor administrativo, podemos deflagrar — e vamos deflagrar — verdadeira revolução em favor dos jovens, para que nos mostremos dignos do grandioso futuro a que se destina o Brasil.

Muito obrigado.

João Paulo Cunha - presidente da Câmara dos Deputados
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